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1 de Maio - É Necessário Recorrer a Maria

Atualizado: Mai 1


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Que seja Jesus Cristo único Mediador de justiça a reconciliar-nos com Deus, pelos Seus merecimentos, quem o nega? Não obstante isso, compraz-Se Deus em conceder-nos Suas graças pela intercessão dos Santos e especialmente de Maria, Sua Mãe, a quem tanto deseja Jesus ver amada e honrada. Seria impiedade negar semelhante verdade. Quem ignora que a honra prestada às mães redunda em glória para os filhos? Os pais são as glórias dos filhos, lemos nos Provérbios (17,6). Quem muito enaltece a mãe, não precisa ter receio de obscurecer a glória do filho. Pois quanto mais se honra a Mãe, tanto mais se louva o Filho, diz São Bernardo. E observa Santo Ildefonso: É tributada ao Filho e ao Rei toda a honra que se presta à Mãe e à Rainha. Ao mesmo tempo está fora de dúvida que pelos merecimentos de Jesus Cristo foi concedida a Maria a grande autoridade de ser medianeira da nossa salvação, não de justiça, mas de graça e de intercessão, como bem Lhe chamou Conrado de Saxônia com o título de “Fidelíssima Medianeira de Nossa Salvação”.


Portanto, bem adverte Suárez: Quando suplicamos à Santíssima Virgem nos obtenha as graças, não é que desconfiemos da misericórdia divina, mas é muito antes porque desconfiamos da nossa própria indignidade. Recomendamo-nos, por isso, a Maria, para que supra Sua dignidade a nossa miséria.


Que o recorrer, pois, à intercessão de Maria Santíssima seja coisa utilíssima e santa, só podem duvidar os que são faltos de fé. O que, porém, temos em vista é que esta intercessão é também necessária à nossa salvação. Necessária, sim, não absoluta, mas moralmente falando, como deve ser. A origem desta necessidade está na própria vontade de Deus, o Qual pelas mãos de Maria quer que passem todas as graças que nos dispensa. Tal é a doutrina de São Bernardino, doutrina atualmente comum a todos os teólogos e doutores, conforme o assevera o autor do Reino de Maria. Seguem esta doutrina Vega, Mendoza, Pacciuchelli, Ségneri, Poiré, Crasset e inúmeros outros autores. Até Alexandre Natal, aliás, tão reservado em suas proposições, diz ser vontade de Deus que pela intercessão de Maria esperemos todas as graças. Em seu apoio cita a célebre passagem de São Bernardo: Esta é a vontade de Deus, que recebamos tudo por meio de Maria.


Quando não houvesse outro a nos livrar do temor de ser excessivo nos louvores de Maria, bastava o Pseudo-Agostinho para fazê-lo. Conforme suas palavras, tudo quanto pudermos dizer em louvor de Maria é pouco em relação ao que merece por Sua dignidade de Mãe de Deus. Confirma isto a Santa Igreja, a qual faz ler na Missa da Santa Virgem as seguintes palavras:


Bem-aventurada és Tu, Santa Virgem Maria, e mui digna de todo louvor.

Segundo São Bernardo, Deus encheu Maria com todas as graças para que por Seu intermédio recebam os homens todos os bens que lhes são concedidos. Faz aqui o Santo uma profunda reflexão, acrescentando: Antes do nascimento da Santíssima Virgem, não existia para todos essa torrente de graças, porque não havia ainda esse desejado aqueduto: Maria foi dada ao mundo – continua ele – a fim de que por Seu intermédio, como por um canal, até nós corresse sem cessar a torrente das graças divinas.


E por isso razão tinha Ricardo ao escrever:


Assim como a pedra cai logo que é tirada a terra que a sustém, assim uma alma, tirado o socorro de Maria, cairá primeiramente no pecado e depois no Inferno.

Deus não nos há de salvar sem a intercessão de Maria, assevera São Boaventura; pois, assim como uma criancinha não pode viver sem a ama, da mesma forma ninguém se pode salvar sem a proteção de Maria. Tenha, por conseguinte, a tua alma, exorta o Santo, uma verdadeira sede de devoção a Maria; conserva-a sempre, não a deixes até que vás receber no Céu a maternal bênção de Maria. Ó Virgem Santíssima, exclamava São Germano, ninguém pode chegar ao conhecimento de Deus senão por Vós, ó Mãe de Deus, ó Virgem Mãe, ó cheia de graça! E de novo: Se não nos abrísseis o caminho, ninguém escaparia às solicitações da carne e do pecado.


Como só por meio de Jesus Cristo temos acesso junto ao Pai Eterno, igualmente, observa São Bernardo, só por meio de Maria temos acesso junto a Jesus Cristo. E a tal resolução de Deus, isto é, que sejamos salvos por intermédio de Maria, dá o Santo este belo motivo: Por meio de Maria receba-nos aquele Salvador, que por meio d’Ela nos foi dado! Dá-Lhe, por isso, o nome de Mãe da graça e da nossa salvação. Que seria, pois, de nós, indaga São Germano, que esperança nos restaria de salvação, se nos abandonásseis, ó Maria, vida dos cristãos?



EXEMPLO


Lê-se nas Revelações de S. Brígida que havia um senhor tão nobre pelo nascimento como vil e depravado pelos costumes. Fizera pacto expresso com o demônio, a quem havia servido como escravo durante sessenta anos seguidos, sem se aproximar dos sacramentos, e levando a pior vida que se pode imaginar. Ora, estando para morrer esse fidalgo, Jesus Cristo, para usar com ele de misericórdia, ordenou a S. Brígida que pedisse a seu diretor espiritual que o fosse visitar e exortar a confessar-se. O padre foi, mas o doente respondeu que já se tinha confessado muitas vezes, não necessitando mais de confissão. Foi segunda vez, porém o infeliz escravo do inferno obstinou-se na sua impenitência. Jesus de novo disse à Santa que o padre não devia desanimar. Este voltou terceira vez e referiu ao doente a revelação feita à Santa, dizendo-lhe que tinha voltado por ordem do Senhor, o Qual queria usar de misericórdia em seu favor. Isto ouvindo, o infeliz começou a enternecer-se e a chorar. Mas como, (exclamou em seguida), poderei ser perdoado? Durante sessenta anos servi ao demônio, e dele me fiz escravo e tenho a alma tão carregada de inúmeros pecados! – Filho, respondeu- lhe o padre, animando-o, não duvides; se te arrependeres, prometo-te o perdão em nome de Deus. Começando então a ter confiança, disse o infeliz ao confessor: Meu Pai, eu me julgava condenado e desesperava da minha salvação; mas agora sinto uma dor de meus pecados, que me anima a ter confiança. Com efeito, confessou-se no mesmo dia quatro vezes, com muita contrição. No dia seguinte comungou, e morreu seis dias depois, muito contrito e resignado. Depois de sua morte, Jesus Cristo falou de novo a S. Brígida e disse-lhe que aquele pecador se tinha salvado, que estava no purgatório, e devia a salvação à intercessão da Virgem, sua Mãe, pois apesar da vida perversa que levara, tinha conservado a devoção às suas dores, recordando-as sempre com compaixão.



ORAÇÃO


Ó minha Mãe Dolorosa, Rainha dos Mártires e das Dores, chorastes tanto Vosso Filho, morto por minha salvação; mas de que me servirão Vossas lágrimas, se eu me perder? Pelos merecimentos, pois, de Vossas Dores, impetrai-me uma verdadeira emenda de vida, com uma perpétua e terna compaixão de Jesus e Vossas Dores. E já que Jesus e Vós, sendo inocentes, tanto padecestes por mim, obtende-me que eu, réu do Inferno, padeça também alguma coisa por amor de Vós. Digo-vos com São Boaventura: “Ó minha Senhora, se eu Vos magoei, feri e enternecei meu coração, para castigar-me; se eu Vos tenho servido, fazei-o então em recompensa disso. Considero uma vergonha me ver sem chagas, quando Vós e Jesus estais feridos por meu amor”. Finalmente, ó minha Mãe, ainda um pedido. Pela aflição que sentistes vendo diante de Vossos olhos Vosso Filho, entre tantos tormentos, inclinar a cabeça e expirar na Cruz, suplico-Vos que me alcanceis uma boa morte. Ah! não me abandoneis na última hora, ó advogada dos pecadores. Não deixeis de assistir minha alma aflita e combatida, na terrível e inevitável passagem da vida à eternidade. E como é possível que eu perca então a palavra e a voz, para invocar Vosso nome e o de Jesus, que sois toda a minha esperança, invoco-Vos desde já, a Vosso Filho e a Vós, pedindo-Vos que me socorrais no instante final, e dizendo: Jesus e Maria, a Vós recomendo a minha alma. Amém.


- Santo Afonso Maria de Ligório



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Amém, louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém

 

Apocalipse 7, 12

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