A Santíssima
Trindade

I. Há um só Deus em três pessoas realmente distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.

II. Este único Deus é um espírito perfeitíssimo, Eterno, Criador do Céu e da Terra. Ensina-o a razão e confirma-o a fé.

III. Ele é espírito perfeitíssimo, porque não é limitado pelo espaço, mas está em toda parte e ainda assim é maior do que o universo inteiro; Ele é Eterno, porque não é limitado pelo tempo, mas desde sempre foi, é e será; Ele é Criador do Céu e da Terra, porque Ele é a causa primeira de todas as coisas criadas.

IV. O célebre astrônomo Atanásio Kirchner tinha um amigo que não acreditava na existência de Deus e frequentemente dizia que os planetas se fizeram a si mesmos. Um dia, quando este amigo visitou o astrônomo, ele achou em um canto de seu laboratório um belíssimo globo. “Quem fez este globo?”, perguntou ele. “Ninguém o fez”, Kirchner respondeu, “ele se fez sozinho”. E quando seu amigo parecia irritado com a sua resposta, ele acrescentou: “Se os imensos planetas do céu se fizeram a si mesmos, então por que não este insignificante globo?” O descrente ficou pensativo e reconheceu que seus princípios eram falsos.

V. Este único Deus é a Santíssima Trindade. O Pai é a Primeira Pessoa da Santíssima Trindade. O Filho é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só e o mesmo Deus, iguais em poder, sabedoria e bondade.

VI. A Igreja adora a Santíssima Trindade de Deus de muitos modos, especialmente na seguinte oração cotidiana: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém. Deve-se sabê-la de cor e repeti-la muitas vezes ao dia.

VII. O mistério da Santíssima Trindade é ao mesmo tempo incompreensível e certíssimo. Ele é incompreensível, porque supera o entendimento humano; ele é certíssimo, porque foi revelado pelo próprio Deus.

VIII. Um dia, nos princípios da sua conversão, conta-se que Santo Agostinho andava passeando à beira-mar enquanto tentava entender o mistério da Santíssima Trindade. Submergido em tão profunda meditação, casualmente notou que um menino estava muito afadigado tirando com uma concha a água do mar para deitá-la logo depois num buraco aberto na areia. “Menino, para que estás tirando água com tanto empenho?” Perguntou-lhe Agostinho. “Nada”, respondeu ingenuamente o menino, “não estou nada mais que mudando para este buraco toda a água do mar”. Daí Santo Agostinho riu-se ao ouvir tão insensata pretensão. Porém, o menino, assumindo um semblante severo e brilhando com luz angelical, replicou-lhe: “Como não julgas coisa fácil o que eu pretendo? Pois bem, fica sabendo que é mais fácil mudar a água do mar para este buraco do que compreender com uma mente limitada o mistério da Santíssima Trindade!

 

IX. Este mistério é incompreensível, mas encontram-se na natureza muitos sinais que apontam para esta verdade. Eis alguns exemplos:

  • Toda matéria, não importa sua natureza e forma, tem sempre três dimensões: altura, largura e profundidade. As dimensões são realmente distintas uma da outra, mas existem no mesmo ser.

  • Os estados da mesma matéria são três: sólido, líquido e gasoso.

  • O sol tem luz, raios e calor: três coisas distintas numa só substância.

  • Cada raio luminoso reduz-se a três cores: vermelho, azul e verde.

  • A árvore tem raiz, tronco e ramos.

  • O ramo tem folha, flores e fruto.

  • O mundo terrestre se divide em três reinos: mineral, vegetal e animal.

  • Em cada animal há três funções: nutrição, respiração e movimento.

  • No homem há três vidas: vegetativa, sensitiva e racional.

  • A família se compõe de pai, mãe e filhos.

  • O juízo racional é composto de sujeito, predicado e verbo.

  • Na alma humana há o entendimento, pensamento e amor.

X. Geron, rei da Sicília, fez construir uma nau, e ficou tão grande e pesada que todos os esforços que se fizeram para lançá-la a água se mostraram inúteis. Recorreu nestas circunstâncias ao célebre matemático e mecânico Arquimedes. que prometeu ao rei construir uma máquina muito simples, com a qual uma pessoa só faria o que muitos homens, animais e máquinas poderosíssimas não tinham conseguido. Todos se riram, inclusive o próprio rei, ao ouvir a afirmação de Arquimedes. Grande foi, todavia, o espanto geral quando viram o mesmo rei, convidado por Arquimedes, mover com muito pouco esforço uma alavanca, levantar com este instrumento a nau e lançá-la ao mar. Maravilhado o rei com tão feliz resultado, conta-se que exclamara: “Doravante qualquer coisa que Arquimedes diga, ordeno que seja imediatamente acreditada, ainda que não se entenda.”

 

Ora, se tanta é a força da palavra de um sábio, que é capaz de subjugar o nosso entendimento, até mesmo naquilo que não se compreende, quão irracional seria então negar crédito ao mistério da Santíssima Trindade, proposto a nós pela infinita sabedoria de Deus!

Fonte:

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2.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã: A Unidade e Trindade de Deus

Sermão do Rev. Padre Neves sobre a Santíssima Trindade

Conheça também o Credo Atanasiano sobre a Trindade e a Encarnação: clique aqui »

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