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As Quatro Têmporas

O QUE É?

"As Quatro Têmporas (do latim Quatuor Tempora, ou seja, quatro tempos, quatro estações) são os dias de início das estações ordenados pela Igreja como dias de jejum e abstinência. Foram definitivamente organizados e prescritos para toda a Igreja pelo Papa Gregório VII (1073-1085) para a quarta-feira, sexta-feira e sábado depois do dia 13 de dezembro (Santa Luzia), depois da Quarta-feira de Cinzas, depois de Pentecostes e depois do dia 14 de setembro (Exaltação da Santa Cruz).

O propósito de sua introdução, além do propósito geral de oração e jejum, era agradecer a Deus pelos dons da natureza, ensinar aos homens a como fazer uso deles com moderação, e ajudar aos necessitados."

- Enciclopédia Católica


 

Os dias em que se fazem esses jejuns sazonais são:

 

  • quarta, por ser o dia em que o Senhor foi traído por Judas Iscariotes;

  • sexta, por ser o dia de Sua crucificação; e

  • sábado, por ser o dia em que Ele passou no túmulo e no qual os Apóstolos ficaram de luto por Sua morte.

Na introdução do Missal de Dom Beda Keckeisen, de 1947, lemos:

"Para iniciar de maneira mais piedosa as quatro estações do ano, já nos primeiros tempos eram celebradas as Têmporas. Estes dias são sempre a quarta-feira, a sexta e o sábado, e são dedicados ao jejum e à oração. Foram instituídos para agradecer a Deus as colheitas e para implorar novas bênçãos do Senhor nas searas futuras. O dia mais solene era o sábado e ainda hoje é o dia preferido para as ordenações sagradas. É portanto de sumo interesse para os fiéis que nestes dias implorem a Deus a dádiva de Pastores zelosos para o rebanho do Senhor. Além deste característico comum, as Têmporas ainda influem no tempo do ano em que são celebradas. As primeiras são na 3ª semana do Advento [depois de Santa Luzia – dia 13]; as segundas, na 2ª semana da Quaresma [primeira quarta-feira depois das Cinzas, ou seja, depois do 1º Domingo de Quaresma]; as terceiras, na Oitava de Pentecostes; e as últimas, sempre na quarta-feira depois de 14 de setembro [dia da Exaltação da Santa Cruz]."

- Missal Quotidiano”. Edição A. Dom Beda Keckeisen O.S.B. Mosteiro São Bento. Bahia. 1947, pp. 17-18.


 

O Tiago de Voragine apresenta em sua Legenda Áurea, várias graças que recebemos ao obedecer essa piedosa tradição. Eis abaixo algumas delas:

 

  • Resistirmos aos efeitos provocadas pelas estações, "pois a primavera é quente e úmida, o verão quente e seco, o outono frio e seco, o inverno frio e úmido. Jejuamos na primavera para temperar em nós o humor nocivo que é a luxúria; no verão para castigar o calor prejudicial que é a avareza; no outono para temperar a secura do orgulho; no inverno para atenuar o frio da infidelidade e da malícia."

  • Atenuarmos as tendências desordenadas de cada temperamento, pois "o sangue aumenta na primavera, a bílis no verão, a melancolia no outono e a fleuma no inverno. Consequentemente, jejua-se na primavera para debilitar o sangue da concupiscência e da louca alegria, pois o sanguíneo é libidinoso e alegre. No verão, para enfraquecer a bílis do arrebatamento e da falsidade, pois o bilioso é por natureza colérico e falso. No outono, para acalmar a melancolia da cupidez e da tristeza, pois o melancólico é por natureza invejoso e triste. No inverno, para diminuir a fleuma da estupidez e da preguiça, pois o fleumático é por natureza estúpido e preguiçoso."

  • Adquirirmos as virtudes próprias de cada idade da vida, pois "a primavera relaciona-se à infância, o verão à adolescência, o outono à maturidade ou idade viril, o inverno à velhice. Jejuamos então na primavera para conservar a inocência de crianças; no verão para consolidar a força, evitando a incontinência; no outono para recuperar a juventude através da constância e ratificar a maturidade através da justiça; no inverno para ficar velhos com prudência e honestidade e para pagar as ofensas que fizemos ao Senhor nas outras idades."

O rol de motivos por que devemos fazer penitência não se esgota, evidentemente, nestas linhas. Assim como as quatro estações vão se substituindo ano após ano, e sem nenhuma trégua, assim também nós, conscientes da fragilidade de nossa carne e desejosos de reparar os Corações Imaculados de Jesus e de Maria, devemos viver em atitude permanente de mortificação.


É verdade, o termo "morte" pode soar mal aos ouvidos modernos. Muitos gostariam, na verdade, se pudessem, de apagá-lo de quaisquer  documentos da Igreja. Nos Evangelhos, entretanto, as palavras de Nosso Senhor não podiam ser mais claras:

 


"Se alguém quer vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-Me."

(Lc 9, 23) 

"Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas, se morre, produz muito fruto. Quem tem apego à sua vida vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste mundo vai conservá-la para a vida eterna."

(Jo 12, 24-25)

 


 Viver em família essa tradição é tanto uma forma de testemunho para o mundo moderno, tão dado aos prazeres da carne, quanto uma oportunidade para formar os próprios filhos na escola da santidade.


Mesmo que doa, portanto, não deixemos de nos doar! Sirva-nos de modelo a pastorinha Jacinta Marto, vidente de Fátima, que tinha o comer alimentos amargos como um de seus "sacrifícios habituais" e que, um dia, interpelada por sua prima para que deixasse de comer as bolotas dos carvalhos, porque amargavam muito, deu-lhe, em sua simplicidade, esta bela lição: "Pois é por amargar que o como, para converter os pecadores." 

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 Entre os gritos

"Tudo está perdido"

e "Tudo está salvo" 

haverá quase nenhum intervalo.

Abade Souffrant  

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Eis que venho em breve! Felizes aqueles que põem em prática as palavras da profecia deste livro.

Apocalipse 22, 7

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O SANTO ROSÁRIO

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"Com este Sinal Vencerás!"