• Apostoli Christi

Hora Santa - Companhia Consoladora a Jesus


– Padre Mateo Crawley-Boevey


Vos adoramos, Jesus Sacramentado, e Vos bendizemos, pois pela graça de Vosso Coração Divino estais redimindo o mundo… Salvai-nos nele, como prometeste à Vossa serva Margarida Maria… salvai-nos, Vos rogamos, pelo amor de Vossa Mãe Imaculada…


(De joelhos e com grande recolhimento interior, peça-Lhe a luz para conhecer Seu Divino Coração e graça para O amar e procurar a Sua glória)


(Breve pausa)


Confidência de Jesus. Não fostes vós que Me elegeram… Eu que vos predestinei e vos selecionei entre milhares para que participeis aqui, em Hora Santa e sublime de intimidade Comigo, das confidências, das ternuras e das graças que vos tenho reservadas em Meu sofrido Coração…


Aproximai-vos, estendei-Me os braços, arrancai-Me os espinhos, dai-Me consolo… pois desfaleço de amor e de amargura… aproximai-vos! Vos tenho amado tanto… tanto! Se vos encontram aqui na ceia deliciosa de Minha caridade, próximo ao Senhor dos Anjos, sentindo os ardores de Meu Coração… é porque vos escolhi gratuitamente… Vós sim, que sois Meus… fostes os servos e sois, agora, os filhos… Vinde, portanto, e compartilhai o pão das Minhas dores à sombra deste Getsêmani


Preciso abrir-vos a Minha alma, pois nela há tristezas que os Anjos não conhecem, e lágrimas que não correm no Céu… Sinto ânsias de falar-vos em dolorosa confidência, a mais intima… Se não podeis sondar toda a profundeza das Minhas angústias, não importa: tendes também uma fibra, que vibra ansiosamente ao contato da dor e da luta…

Os espíritos angélicos vêm Me apoiar neste horto de agonia… mas vós estais muito mais próximos que eles do mar de Minhas tristezas… vós podeis beber Minhas lágrimas, podeis suavizá-las sofrendo Minha paixão e Minhas dores… Desapegai-Vos, pois, do mundo, abandone suas mentiras e as lembranças de suas loucuras, e aqui, aos Meus pés, sofrei com o Deus encarcerado, que quer que tomeis parte neste amor doloroso, crucificado… aquele amor que, na tortura da agonia, deu a paz e a vida ao mundo.


(Pausa)


A alma: Fazei, Senhor Jesus, que eu veja… Fazei que eu saboreie a amargura de Vossos sofrimentos infinitos…; concedei-me o fervor de penetrar com fé vivíssima e Vossa alma dolorosa… Divino Agonizante, seja benigno e mesmo que eu seja um pecador, colocai nesta Hora Santa o cálice do Getsêmani em meus lábios: dai-me de beber em Vosso Coração… tenho sede de Vós, Jesus-Eucaristia!


(Breve pausa)


Voz do Sacrário. Vós Me conheceis, filhinhos Meus, porque escutais Minhas palavras de vida eterna… e ao conhecer-Me, conheceis a Meu Pai, pois Eu sou o Caminho que a Ele conduz… Mas, ai, pensais que há milhões de irmãos vossos, criados para Me adorar, livres para Me bendizer, e que levantam contra o céu este grito de blasfêmia: “Deus não existe”!... Até o Meu trono de paz, até este altar de mansidão, chega esse grito irado, eco da rebeldia de Lúcifer… Esses mesmos que Me negam, vivem de Meu alento e vivem de Minha bondade, e contudo, Me negam a palavra, Me expulsam em suas obras…


Eu, somente Eu, não existo para eles… Meu Nome os perturba, Meu jugo suave os espantam, Meu Calvário os irrita… Blasfemam contra Mim!


(Breve pausa)


Buscam a paz! Que paz pode ter aquele que não adora, que não espera, que não Me ama, a Mim que Sou a Vida?... Ah!, e com que tranqüilidade renunciam a Minha pessoa em tudo, absolutamente em tudo, seja grande ou pequeno, em sua vida… Eu não tenho parte na ternura de suas mães, no cuidado de seus pais, nem no carinho de seus filhos…

Me excluem completamente das alegrias de seus lares… Não Me chamam nem para uma lembrança vaga em suas dores, ao chegar alguma morte cruel… Em seus negócios, em seus projetos, em tantas incertezas e desgraças, Me tem relegado ao mais completo esquecimento… Acreditais, Meus amados? Eu, o Criador, o Redentor, não tenho no coração e no pensamento de milhares de famílias o lugar que lhes ocupam os pássaros e as flores das suas casas! Assim me paga o mundo por haver Me entregado por seu amor à morte, mais que de Cruz, de Eucaristia!...


(Rezemos em voz alta, com fé ardorosa, o Credo, em reparação solene à negação de Deus e de Jesus Cristo na qual vivem tantos incrédulos infelizes)


(Pausa)


Voz do Sacrário - Levo, desde séculos, um Coração doloroso e cheio de lágrimas; Ai! Quantas almas, cujo preço foi Meu Sangue, se condenam!... Destinadas a se abrasar nas chamas de Meu amor, caíram já, milhares, ao abismo de outras chamas horríveis, vingadoras…! E elas pertenciam-me… Vede: desde o inferno amaldiçoam o Meu presépio de Belém, a Minha pobreza, o meu chamar pelos homens.… Amaldiçoam a Cruz, marcada com sangue na sua consciência: amaldiçoam a Minha Igreja, que lhes ofereceu os tesouros da Redenção; amaldiçoam a Minha Eucaristia, desdenhada por elas, que certamente gozariam agora duma eternidade feliz, se tivesse alimentado do Pão da imortalidade, do Meu Coração sacramentado… Ah! E quantos destes réprobos estiveram algumas e muitas vezes, como estais vós, aos Meus pés!... E se perderam!... Os chamei, corri atrás deles, lhes estendi Meus braços… mas romperam todas as correntes… elegeram o gozar por um instante e, depois, chorar com pranto eterno… E maldizem com eterna maldição…

E foram Meus!... Oh! Dor das dores!... Como padeceu Minha alma, no Getsemani, esta sentença de reprovação irrevogável… E foram todos Meus… Minhas foram estas legiões incontáveis de condenados ao suplício de uma cólera infinita!... Os tive aqui, sobre Meu peito, a beira do abismo de Meu Coração amante… E os levaram outros abismos… e para sempre… e são hoje em dia, lágrimas arrancadas para sempre de Meus olhos… criaturas expulsas para sempre de Meu Reino… filhos perdidos, pelos séculos dos séculos, do lar do Céu…

(Breve pausa)


Voz da alma. Beijo Vossas mãos chagadas, Jesus, e por Vossa agonia no horto, livrai estes consoladores de Vosso Coração das chamas do Inferno…


Beijo Vossos pés chagados, Jesus, e por Vossa agonia no horto, livrai estes amigos de Vosso Coração de uma reprovação eterna…


Beijo Vosso peito aberto, Jesus, e por Vossa agonia no horto, livrai estes apóstolos de Vosso Coração do suplicio de maldizer-Vos eternamente…


(Breve pausa)


Voz do Mestre. E sabeis por qual caminho fácil se chega à reprovação final? Ferindo Meu Coração com pecado de ingratidão… abusando da misericórdia deste Deus, que é todo Caridade… Sou Jesus, isto é, Salvador… Vim para aqueles que precisam de médico, de força, de paz… para aqueles sobretudo que precisam de perdão, de misericórdia, de amor. A estes enfermos mostrei a piscina de toda saúde: Meu Coração, que tudo perdoa!

Oh! E desta ternura tantos abusaram!... Jamais neguei perdão a quem Me pediu com humilde contrição, jamais… Por isso, porque Minha bondade é infinita…, porque espero com inalterável paciência o pródigo… porque, ao regressar, esqueço seus pecados e faço festa para celebrar a ovelha que chega ensangüentada ao redil dos Meus amores… tantos enchem a medida da ingratidão, e condenam-se pelo abuso da absolvição que lhes dou…


Detei-Vos, filhos Meus, na ladeira deste caminho, e chorai o extravio fatal de tantos irmãos vossos que Me ferem, porque Sou Jesus dulcíssimo para com eles…


(Pedir-Lhe perdão pelo abuso de Sua misericórdia, especialmente nos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia, dizendo-Lhe):


Que tenho eu, Senhor, que não me tenhais dado?

Que sei eu, que Vós não me tenhais ensinado?

Que valho eu, se não estou a Vosso lado?

Que mereço eu, se a Vós não estou unido?


Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido…


Pois me criastes, sem que eu o merecesse.

E me redimistes, sem que eu Vos pedisse.

Muito fizestes em me criar,

Muito em me redimir,


E não serás menos poderoso em perdoar-me,

Pois o muito Sangue que derramastes,

E a cruel morte que padecestes,

Não foi pelos Anjos que Vos adoram,

Mas por mim e pelos demais pecadores que Vos ofendem…


Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos

Se Vos tenho injuriado, deixai-me reparar-Vos,

Se Vos tenho ofendido, deixa-me servir-Vos,

Porque é mais morte que vida

A que não está empregada em Vosso santo serviço…


(Pausa)


Confidência de Jesus. Tenho uma amável confidência para fazer-vos. Todavia, recebei-a com especial carinho, pois quero falar-vos de Minha Mãe… Maria jamais esteve ausente de Meu Coração… e Seu Nome repercutia nele com especial ternura, em Minhas horas de solidão e agonia… No Getsêmani, Oh!, quanto pensei n’Ela…


A vi chorar amargamente a morte do Filho e dos filhos… Quando Me prenderam à coluna, os algozes dilaceravam-Me a carne, e flagelavam ao mesmo tempo a Virgem Mãe, que Me tinha dado este corpo puríssimo, pelo qual Eu era vosso irmão… E quando salpicavam de sangue os muros do Pretório, vi no decurso dos séculos, os ultrajes que fariam à Minha Mãe aqueles que haviam de negar a Sua maternidade divina, ofendendo assim ao mesmo tempo Filho e Mãe…

Muitos outros pretendem adorar-Me, e A relegam a um glacial esquecimento, que fere mais violentamente Meu Coração filial… Maria é vossa Mãe… amai-A e fazei-A amada… Oh! Dê-Me um grande consolo nesta Hora Santa!: Pensai nas minhas lágrimas e nas de minha Mãe dulcíssima, para consolardes assim o meu entristecido Coração!…


(Peça perdão ao Senhor Jesus pela dor que Lhe causam tantos católicos indiferentes à Sua Mãe, tantos afastados e protestantes que Lhe recusam Seu amor e que menosprezam ou negam a dignidade e prerrogativas da Virgem Maria).


(Breve pausa)


E agora, falai-Me vós, cujos nomes tenho inscrito em Meu Divino Coração…; falai-Me palavras que brotem do mais íntimo de vossas almas, unidas à Minha por laços de dor e de carinho imenso… Se tendes tristezas, contai-Me… Se sentes tédio da vida e ao mesmo tempo temor da morte, dizei-Me… Oh! Falai-Me sobretudo dos santos desejos que tens de Me ver consolado… e de contemplar-Me logo, Rei do Amor, pela misericórdia de Meu Sagrado Coração…: falai, que vosso Deus escuta.


(Pausa)


A alma. Senhor Jesus, nesta Hora Santa trazemos aos Vossos pés um pedido amabilíssimo. Apresentamos nossos ombros carregados com Vossas mercês, com a alma cumulada com Vossos favores, enquanto Vós arrastais fatigado, agonizante, a Cruz de nossas iniqüidades… Ah! Não é possível que deis aos culpados a deliciosa carga dos Vossos favores, o cálice da Vossa ternura, reservando para Vós só as angústias da agonia, o fel do esquecimento, e das inumeráveis perfídias da terra.

Partilhai, pois, Jesus Sacramentado; partilhai conosco na Hora Santa todas as Vossas tristezas, e mesmo que não O mereçamos, aceitai-nos de Cirineus na via dolorosa que conduz ao monte Calvário… Desde agora Vos agradecemos os dissabores da vida. Não só os aceitamos resignados, como justa expiação dos pecados, nossos e alheios, mas bendizemos-Vos pelos espinhos que semeastes no nosso caminho com planos de misericórdia!… Vós bem sabeis quanto a nossa natureza sente a enfermidade… a pobreza… a calúnia… a ingratidão… o esquecimento… o cansaço de viver… a tristeza… a incerteza.


Falamos com Jesus de Nazaré, nosso Irmão, cujo Coração de carne, Oh! Encantadora e divina fraqueza!... Ressentiu-se com as debilidades da miséria humana…

Vos bendizemos, Jesus, por aquelas decepções que nos desapegam das criaturas. Permitis, às vezes que encontremos nelas, com legítimo afeto, consolação para o nosso espírito… E num instante rompeis esses laços, e dilacerais as nossas almas… porque, com uma exigência cheia de amor, quereis para Vós, inteiro, o nosso Coração.


Obrigado, Jesus, por estas divinas e amáveis crueldades... obrigado! E da mesma maneira com que tratais o coração dos homens, assim, ó irresistível Soberano, fazeis com a sua saúde; e das doenças corporais tirais o bem-estar das almas: transformais os reveses da fortuna em manancial de Fé, a fome e a desventura, em ressurreição e vida!… Bendito sejais, mil e mil vezes, Coração providente, benigno, salvador, que, de nossas grandes desolações, sabeis produzir eflúvios de paz, doçuras inefáveis e delicias do Céu...


Divino agonizante do Getsêmani, Vos bendizemos e louvamos pelas tribulações e provas com as quais nos quer fazer participantes das glórias de Vosso Sangue...


Espinhos do Coração Sagrado de Jesus, formai-me a coroa que aprisione o meu...


Torturas e agonia do Coração Sagrado de Jesus, apagai minha sede de amor terreno e de aventuras...


Cruz bendita e chamas do Coração Sagrado de Jesus, crucificai minha sensualidade e orgulho...


Ferida sangrenta do Coração de Jesus, dai-me entrada neste Horto da Agonia, centro de amor, e de sublime santidade.


(Pausa)


O anátema duma tremenda e divina justiça, que arranca ao Vosso amor tantas almas infiéis, traspassa o Vosso Coração, ó amado Salvador!… E fere também o nosso ansioso de Vos glorificar, de ver santificado o Vosso Nome e utilizado o Vosso sangue em toda a terra.


Seremos felizes, se pudermos, durante esta HORA SANTA, com a nossa prece de reparação ao vosso Coração Eucarístico, impedir que, pelo menos, uma alma caia no inferno!


Acolhei, Senhor, esta oração, e salvai tantas almas, que estão em risco de se perderem.

(Todos repetem em voz alta as palavras em itálico)

Convertei-os, ó Jesus, pelo Vosso Divino Coração!


Convertei os orgulhosos que repelem, os incrédulos que negam a existência dum Deus Criador do Céu e da terra, de tudo quanto existe.

Convertei-os, ó Jesus, pelo Vosso Divino Coração!


Convertei, ó amado Salvador, os infelizes que negam a maravilha da Vossa Encarnação, que não querem reconhecer-Vos nosso Irmão, segundo a humana natureza!

Convertei-os, ó Jesus, pelo Vosso Divino Coração!


Convertei todos quantos propagam estas negações e fazem delas bandeira de guerra para combater o Vosso Evangelho e os Vossos direitos soberanos…

Convertei-os, ó Jesus, pelo Vosso Divino Coração!


Convertei todos quantos, seduzidos por tenebrosas doutrinas, apostatam e negam o Vosso amor e a Vossa Lei…

Convertei-os, ó Jesus, pelo Vosso Divino Coração!


Convertei aqueles que preparam, com raiva infernal, a ruína das instituições cristãs, aqueles que juraram a Vossa derrota e a da Vossa Igreja…

Convertei-os, ó Jesus, pelo Vosso Divino Coração!


Convertei aqueles, que, por ódio à Vossa Pessoa adorável, pretendem apagar a idéia da Vossa Cruz na consciência das crianças, da alma do povo e das famílias…

Convertei-os, ó Jesus, pelo Vosso Divino Coração!


Convertei aqueles, que, sob pretexto de ciência e com delicadeza de forma, pretendem eliminar pouco a pouco, a Vossa Pessoa divina de todas as manifestações da vida humana…

Convertei-os, ó Jesus, pelo Vosso Divino Coração!


Convertei aqueles que por uma deplorável ignorância não fazem caso da Vossa Palavra, e vivem descuidosos, longe de fé e da atmosfera da Vossa graça…

Convertei-os, ó Jesus, pelo Vosso Divino Coração!


Convertei, enfim, ó Jesus, as milhões de almas que, em terras distantes, vivem, se movem e dormem nas sombras letais do paganismo, da heresia e da morte...

Convertei-os, ó Jesus, pelo Vosso Divino Coração!


(Pausa)


Tendes desejado confiar-me Jesus, o Coração da Virgem Mãe afim de reparar Suas dores e as Vossas pelas ofensas daqueles que pretendem ser cristãos e que rechaçam a Vossa última palavra a São João no Calvário: “Filho, eis aí a tua Mãe!”

Senhor, confundidos com a Vossa bondade, aceitamos esta dádiva inefável, e para desagravar os ultrajes dessas almas, oferecemos-Vos as penas, lágrimas e orações de todas as mães que Vos adoram sobre a terra, e aclamam Maria sua Rainha…Vós sabeis quanto valem, como oram, como amam, como sofrem essas almas heróicas… Lembrando-Vos da Vossa Mãe Imaculada, das lágrimas que chorastes, vendo-A chorar a Vossa ausência e as penas da Vossa dolorosa Paixão, escutai as mães, que reparam, sofrendo, junto de Vossos pés ensangüentados… Vede como imploram com fé ardente, a salvação das suas famílias!… Ouvi como aclamam a Vossa realeza, sobre o berço dos seus pequeninos, sobre a tumba dos seus esposos… Elas imploram-Vos, Senhor, a vitória decisiva do Vosso Coração… Elas confiam-Vos os tesouros todos do Seu amor… Ah! Quantas temem pelo futuro cristão dos seus filhos! São tantas as que padecem com eles as tristes consequências dos primeiros extravios!... São tantas as que vêem, com lágrimas nos olhos, que as diversões mundanas, as amizades e leituras perigosas, ameaçam a consciência e talvez a eterna salvação dos seus!


Vós as confiastes, adorável Nazareno, as almas do esposo e dos filhos, e elas as depositaram, com amor, sobre o altar de Vosso Sagrado Coração... !


Jesus, durante esta HORA SANTA, lembrai-Vos da Vossa Mãe, como outrora no jardim das Oliveiras, e pela Sua ternura, e pelas Suas virtudes, e pelos Seus sofrimentos, salvai os lares, salvai as famílias!


Senhor, se a oração duma só mãe pôde comover-Vos o Coração e obter-lhe a ressurreição dum filho, fazei que a súplica de tantas mães desoladas obtenha, durante esta HORA SANTA, a santificação das suas casas, para glória do Vosso Coração Divino, ó Rei de Amor!


(Pede-se com fervor de alma)


(Pausa)


Vós solicitastes, amável Prisioneiro do Altar, a companhia consoladora da Hora Santa... Vossa caridade nos venceu; já vês; viemos, deixando tudo, para pedir, com santo fervor, a chegada de Vosso Reino... Que esperais, Jesus, para vencer, quando esta é a Hora da misericórdia e do poder irresistível de Vosso amor?... Antes, pois, de esconder-Vos na suavíssima penumbra de Vossa prisão sacramental, deixai-nos exclamar com grito de caridade triunfante:


(Todos repetem em voz alta as palavras em itálico)

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


Apressai-Vos, Senhor, e vinde reinar antes que o Demônio e o Mundo tomem posse das consciências e profanem, na Vossa ausência, todos os estados da vida!…

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


Avançai, ó Jesus, e reinai nos lares, com a paz inalterável prometida às famílias que Vos receberam com hosanas de vitória!

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


Não tardeis, Mestre amado, pois sobre muitos deles pesam aflições e amarguras, que só Vos podeis remediar…

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


Vinde, porque sois forte, porque sois o Deus das batalhas da vida; vinde e mostrai o Vosso Coração traspassado, como celestial esperança nas angústias da morte…

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


Sejais Vós o êxito prometido em nossos trabalhos; somente Vós a inspiração e recompensa de todas as nossas ações...


Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


Não esqueçais os Vossos privilegiados, os pecadores; não esqueçais que sobretudo para eles revelastes as ternuras inextinguíveis do Vosso amor!…

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


São tantos os tíbios, ó bom Mestre! Tantos os indiferentes… Inflamai-os com esta admirável devoção…

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


“Aqui está a vida”, nos dissestes, mostrando-nos Vosso Lado aberto... Concedei, pois, que aí bebamos o fervor, a santidade a que aspiramos.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


Vossa imagem, a pedido Vosso, tem sido entronizada em muitas casas... em nome delas, Vos suplicamos, sigais sendo, em todas, o Soberano mui amado.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


Põe palavras de fogo, persuasão irresistível, vencedora, naqueles sacerdotes que Vos amam e que Vos pregam, como São João, Vosso discípulo amado.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


E para aqueles que ensinam esta sublime devoção, para os que publicam as suas inefáveis maravilhas, reservai, ó Jesus, no Vosso Coração, um lugar de eleição depois daquele onde está gravado o nome da Vossa Mãe…

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


E, por fim, Senhor Jesus, dai-nos o Céu de Vosso Coração a estes que compartilham Vossa agonia na Hora Santa; por esta hora de consolo, e pela Comunhão das primeiras sextas-feiras, cumpri conosco Vossas promessas infalíveis; Vos pedimos que na hora decisiva da morte...

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!


(Pausa)


Senhor Jesus, pudemos velar uma hora Convosco no Getsêmani, e de bom grado ficaríamos acorrentados ao Sacrário para sempre, se Vosso amor o consentisse... Nos vamos, levando paz, consolos, nova vida... Ah! Mas, sobretudo, nos despedimos com satisfação de haver dado a Vós, Mestre, alívio de caridade, desagravo de fé e reparação de amor, que reclamastes, entre soluços, à Vossa confidente Margarida Maria...


Atendei, pois, Senhor Jesus, acolhei manso e bom nossa última oração:


Coração agonizante de Jesus, triunfai.., e seja perseverança de fé e de inocência nas crianças que comungam..., Sejais, Vós, seu Amigo.


Coração agonizante de Jesus, triunfai.., e seja consolo dos pais dos lares cristãos... Sejais, Vós, a sua Vida.


Coração agonizantes de Jesus, triunfai.., e seja o amor da multidão que sofre, dos pobres que trabalham... Sejais, Vós, o seu Rei.


Coração agonizantes de Jesus, triunfai..., e seja a doçura dos aflitos, dos tristes... Sejais, Vós, seu Irmão.


Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja a fortaleza dos tentados, dos débeis... Sejais, Vós, sua Vitória.


Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja a força das almas tentadas… das frágeis. Sede o fervor e a consciência dos tíbios... sejais, Vós, seu Amor.


Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja o cetro da vida militante da Igreja… Sede o seu lábaro triunfante!…


Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja o centro da vida militantes da Igreja... Sejais, Vós, seu lábaro triunfante.


Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja na Eucaristia a santidade e o paraíso das almas… seja o Céu do seu Amor… Sejais para elas tudo!…


E enquanto tarda o dia eterno e feliz, em que cantaremos as Vossas glórias, deixai-nos, ó dulcíssimo Mestre, sofrer, amar e morrer nesta celestial ferida do Vosso Lado, murmurando estas palavras de triunfo:


Venha a nós o Vosso Reino!


(Pausa)


Pai Nosso e Ave-Maria pelas intenções particulares dos presentes.

Pai Nosso e Ave-Maria pelos agonizantes e pecadores.

Pai Nosso e Ave-Maria pedindo o reinado do Sagrado Coração mediante a Comunhão freqüente e diária, a Hora Santa e a Cruzada da Entronização do Rei Divino em lares, sociedades e nações.

(Cinco vezes)


Coração Divino de Jesus, venha a nós o Vosso Reino!



ATO FINAL DE CONSAGRAÇÃO


Ó Jesus, amor infinito, eu quero consagrar-me a Vós com todo o fervor da minha alma. Ofereço-Vos todo o meu ser na ara santa do Vosso Coração; o meu corpo, que respeitarei como templo onde Vós residis: a minha alma que cultivarei como um jardim onde querereis repousar; os meus sentidos, que guardarei como portas da tentação; as potências da minha alma, que abrirei às inspirações da graça; os meus pensamentos que já não se apegarão mais às ilusões do mundo; os meus desejos, que tenderão à felicidade do Céu: as minhas virtudes que florescerão à sombra da Vossa proteção; as minhas paixões, que subjugarei, aos Vossos Mandamentos; os meus pecados até, que detestarei, enquanto houver ódio em meu coração; que chorarei, enquanto houver lágrimas nos meus olhos. O meu coração quer desde agora ser todo Vosso, e para sempre, como Vós, ó Divino Coração, quisestes ser todo meu… Todo Vosso, para sempre, sem culpas nem tibiezas… Servir-Vos-ei por aqueles que Vos ofendem; amar-Vos-ei por aqueles que Vos odeiam; pedirei, sacrificar-me-ei por aqueles que Vos blasfemam. Vós que vedes o fundo dos corações e conheceis a sinceridade dos meus desejos, concedei-me a graça que torna o fraco onipotente. Dai-me o triunfo nas batalhas da vida, e cingireis um dia a minha fronte com uma coroa imortal na mansão da eterna glória… Vós mesmos sereis a minha recompensa, e a chaga deliciosa do Vosso amável Coração será o meu Paraíso.


Venha a nós o Vosso Reino!


 

HORA SANTA pelo R. P. MATEO GRAWLEI-BOEVEY dos Sagrados Corações (PICPUS)

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