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Hora Santa de Novembro



'Eis o Homem'. Tenho aqui o Homem de todas as dores, o Salvador Jesus, diante dessa Hóstia. Dobremos o joelho e O adoremos na suave e vencedora majestade desse mistério. Oh vem seguramente em nossa procura, já que no Paraíso tem legiões de Anjos. Olhai-O, acercai-O como Lhe viu um dia Sua serva Margarida Maria. Vem sem fulgores de sol, sem diadema, de mãos atadas, perseguido... Traz a alma abrumada de angústias. Carregados de lágrimas os olhos. Procura um horto de paz onde orar em Sua agonia, e veio aqui, trazendo-nos uma confidência de caridade infinita, e de infinita tristeza.


Calai, irmãos, e no silêncio da alma, esquecidos do mundo, separados por um momento dos mesquinhos interesses da terra. Ouvi ao Senhor Jesus nesta Hora Santa. Contemplai-O sob a figura dolorida, ensanguentada do Homem, tal como se apareceu em Paray-le-Monial (França) a seu primeiro apóstolo e confidente, para reclamar de Seus amigos um amoroso desagravo. 'Oh, bom Jesus: ao começar esta Hora Santa, deixa-nos beijar com delíquios de amor, com paixão da alma, com embriaguez do céu, a ferida encantadora de Vosso lado, e permiti-nos chegar, por meio desse ósculo ditoso, até o mais recôndito de Vosso divino e agonizante Coração!'


(Apresentai-Lhe o pedido íntimo que quereis fazer-Lhe nesta Hora Santa)


Voz do Mestre:

Filhinhos Meus, quereis presentear um asilo de amor, um casaco de fidelidade a vosso Deus, perseguido pelo furacão maldito da culpa? É verdadeiro que não vês hoje em dia Meu corpo feito pedaços. Mas crede que não cessaram os crudelíssimos açoites. Não vês também que o pranto inunda Minha face. Com que furor penetram em Minha fronte os espinhos! Não está à vista o pesar mortal e a agonia do Getsêmani; Mas, ai, suas indizíveis amarguras enchem até as bordas o cálice de Meu abandonado Coração.


O pecado não dá trégua às Minhas dores. Como uma torrente de inquietude, Me persegue faz vinte séculos seguindo Meus passos, iracundo... Quer devorar a Obra de Meu sangue; Quer condenar as almas. Que pude fazer por Meu rebanho que não o tenha feito? O sacrifício do Meu corpo, da Minha alma, do Meu Coração; o holocausto do Calvário e da Eucaristia, tudo está consumado. E, contudo, a culpa avança, como hálito do inferno, penetra nas consciências, mata nelas Meu amor. E a glória de Meu nome...


Abri-me cedo, vós Meus amigos, abri-me o refúgio carinhoso de vossos corações. Ponde-Me ao aconchego da noite fria, escura, do pecado que envolve ao mundo. Volvei a Mim, filhinhos Meus, envolvei-Me com caridade filial os braços. Não é a recordação do Calvário o que Me fere. É o pecado de hoje que atravessa sem piedade Meu desolado Coração! Vede, estou chorando agora Minhas tristezas; estou desafogando entre vós a tempestade das Minhas dores. E no mesmo instante, milhares de flechas se fincam na chaga sangrenta de Meu peito! Oh! dai albergue de caridade e de ternura, em vossas almas compassivas, a este Jesus, o eterno ultrajado e perseguido da culpa.


(Pausa)



A alma:

Jesus, Rei dos altares e Soberano das almas: vem e assenta Vossos domínios nestes corações. Não serás entre nós o hóspede, senão o Pai e o Monarca. Não o peregrino, senão o Redentor desagravado e o Senhor mil vezes abençoado. Vem... E se é constante a ofensa da culpa, mais constante ainda tem de ser a homenagem de nosso humilde desagravo. Abre Vossa prisão, Senhor Sacramentado, e que os Anjos que rodeiam Vosso pobre tabernáculo se unam aos amigos leais de Vossa Eucaristia, para dizer-Vos:


(Todos em voz alta)


Coração Santo, Vós reinarás!


Não obstante os esforços desesperados do inferno, que almeja o infortúnio eterno das almas.


Coração Santo, Vós reinarás!


Apesar da fragilidade humana, que impele a tantos pela beira do abismo.


Coração Santo, Vós reinarás!


Não obstante a fúria de tantos inimigos de Vossa moral intransigente e de Vossos dogmas invariáveis.


Coração Santo, Vós reinarás!


Apesar dos ataques com que a razão e as sabedorias vãs da terra se alçam para derrubar- Vos do altar.


Coração Santo, Vós reinarás!


Não obstante a licença vergonhosa, que muitos pretendem erigir em lei natural da consciência.


Coração Santo, Vós reinarás!


Apesar do artificio com que se trama noite e dia na contramão da Igreja, do lar e da infância.


Coração Santo, Vós reinarás!


Não obstante a sacrílega legalidade de tantos atentados de lesa majestade divina.


Coração Santo, Vós reinarás!


Apesar do ódio dos governantes, excitados pelo poder de Vossa humildade e de Vosso silêncio.


Coração Santo, Vós reinarás!


Não obstante os ataques irados da imprensa, das leis e das seitas, poderes conjurados em ruínas de Vossa glória e de Vosso reinado entre os homens.


Coração Santo, Vós reinarás!

(Pedi com todo fervor o reinado do Coração de Jesus)


Voz do Mestre:

Por que, dizei-Me, confidentes muito amados, por que os filhos das trevas são com frequência mais prudentes e esforçados do que vós, os filhos de Minha dor e da luz? Vede-os a Meus inimigos, perpetuamente afanados em isolar-Me no Sacrário, e depois, em derrubar Meu altar. Não se dão descanso no propósito de anular Minha lei, de dispersar Meu sacerdócio e de aniquilar-Me nas consciências dos homens...


E vós... E tantos dos Meus, que fizestes? Como não pudestes velar uma hora comigo? E por cansaço, por preocupações terrenas. Por debilidade de caráter. Por falta de amor a vosso Deus e Mestre, descansastes, enquanto Eu agonizava. Dormíeis calmos, diante o vosso Salvador agonizante e a multidão inimiga que vinha prender-Me. Não teríeis feito assim, seguramente, a vossos pais, a vossos irmãos, aos amigos íntimos de vosso coração.

E para Mim, só para Mim, por que não tivestes fineza nem resolução no amor? Prometestes-Me generosidade. Abençoei e aceitei vossa boa vontade. E, há pouco, desfalecestes e fui esquecido. Perdoei-vos tantos desvios, esqueci tantos esquecimentos. E vós, os de Minha casa, viveis com frequência num sopro de calma indiferença que Me magoa cruelmente. Um sonho de apatia, de egoísmo, de desamor por Minha pessoa vos prende. Levantai-vos já; acordai desta indiferença; acerca-se o inimigo que traz o ultraje para o vosso Deus, e para vós, as correntes e a morte. Chegou a hora milagrosa de uma sincera conversão. Oh! vinde e acompanhai-Me, se preciso fora, até o Calvário! Não queirais abandonar-Me, ovelhinhas Minhas, quando ferido estais o vosso Pastor...


(Pausa)


A alma:

Que tenho eu, oh, Deus escarnecido, que Vós não me tenhais dado? Alentai-me, Jesus, e faz que Vos sigais, sem vacilações, nas doces exigências de Vossa graça e de Vosso amor. Que valho eu, se não estou ao Vosso lado? E porque reconheço meu nada e minha impotência, rogo-Vos não queirais deixar-me longe da Vossa mão, não consintais que me afaste por um dia do Sacrário. Perdoai-me os erros que contra Vós cometi. São tantas as fraquezas de meu coração... Perdoai-as e esquecei-as. Pois, o muito sangue que derramaste, e a acerba morte que padeceste, não foi pelos Anjos que Vos aclamam, senão por mim e por tantos mornos e indolentes no exercício de Vosso amor, que Vos desolam e Vos ofendem...


Por isso, nesta Hora Santa, ao renovar os propósitos de fervor em Vosso serviço, consenti que Vos diga com dor da alma: 'Se Vos neguei, deixai-me reconhecer-Vos; se Vos injuriei, deixai-me aclamar-Vos; se Vos ofendi, deixai-me servir-Vos, porque é mais morte do que vida a que não está empregada no santo serviço de Vossa glória e para consolo e triunfo do Vosso Divino Coração.


(Confessai-Lhe vossa indiferença e pedi fervor perseverante em Seu serviço)


Voz do Mestre:

Quantos sois os que velais comigo nesta Hora Santa? É verdadeiro que é grande vosso amor. Ah, sim, mas imenso, insondável é o amargo oceano de delitos e de orgias, que, nesta mesma hora, está saturando de tristeza mortal Meu Coração. Que frenesi de pecado; que desenfreio no redemoinho humano que vai passando agora mesmo ante Meus olhos! Oh, que cenas de morte, que espetáculos de inferno. Que vertigem de paixão sensual no teatro! O grande mundo aplaude e ri ante um palco onde a Mim se Me flagela...

Se soubésseis como Me despedaça a alma dolorida a grande mentira que chamam civilização moderna. Ah, quantas festas de Meus filhos são o escárnio e o Calvário de seu Pai e Salvador! Só vós, Meus amigos, podeis adivinhar o pesar deste agonizar perpétuo num patíbulo, levantado pelos Meus. Como se apresentam, à Minha vista, as grandes capitais... orgulhosas como Nínive... desavergonhadas como a Babilônia. Nelas, meu Evangelho é um exagero intolerável.

Vós, Meus consoladores, que penetrastes tão adentro em Minhas tristezas, ponde um bálsamo em Minha ferida. Consertai, vós, essa embriaguez culpada e aplacai, com uma prece fervorosa, o clamor que, nesta mesma noite, em centenas de salas, de banquetes, de festas, de bailes e teatros, se levanta como um cobertor de lodo, achincalhando a santidade do Meu Evangelho e a tez imaculada da Hóstia.


A alma:

Oh, sim, Mestre, baixeis de uma vez fogo do céu, que purifique, que perdoe e salve a milhares de infiéis, que vivem sem amor, amando loucamente a matéria e o abominável. Para tantos, que esbanjam dinheiro e juventude na dissipação de prazeres mundanos que Vos ofendem...


(Todos, em voz alta)


Misericórdia, e os salvem Vosso doce Coração!


Para aqueles que labutam na tolerância aos pecados públicos e na profanação da consciência e dos sentidos...


Misericórdia, e os salvem Vosso doce Coração!


Para os pervertedores de almas, que na imprensa e nos livros se enriquecem, condenando os seus irmãos...


Misericórdia, e os salvem Vosso doce Coração!


Para aqueles que têm o tristíssimo negócio de excitar paixões na cena teatral, onde tudo é permitido, a pretexto de arte...


Misericórdia, e os salvem Vosso doce Coração!


Para tantos débeis que, ignorando sua consciência, cooperam sem arrependimento no escândalo social de modas e teatros...


Misericórdia, e os salvem Vosso doce Coração!


Para tantos que, relaxado o seu critério de cristãos, não veem mal nenhum no atropelo aos Vossos santos mandamentos...


Misericórdia, e os salvem Vosso doce Coração!


Para aqueles que, no trabalho, deveriam evitar ao Senhor gravíssimas ofensas e não o fazem, por timidez ou por afetação mundana...


Misericórdia, e os salvem Vosso doce Coração!


(Façamos um ato de desagravo pelos pecados públicos e sociais com que se ofende a Jesus Cristo no mundo inteiro)


Voz do Mestre:

Povo meu, herança preciosa de Meu Coração, que te fiz? Ou em que te tenho contristado? Respondei-Me! Desde aqui na Hóstia, contemplo, noite e dia, o lar dos Meus carinhos, o acampamento de Israel de Minhas ternuras, Meus pequenos servos que Me juraram amor eterno. Desde aqui ponho os olhos no coração de Meus amigos, dos que eu quis com predileção. Desde aqui sigo os passos dos que tenho predestinados ao banquete de Meu amor e de Minha glória...


Ai, quantos deles arrancam de Meus Olhos as lágrimas que chorei sobre Jerusalém, Minha pátria. Quantos que foram íntimos de Minha alma são ingratos! Quantos gozam longe de Meu lado, muito longe. Os bens de talento, estimação e de fortuna com que os cumulei para fazê-los santos. Seus tronos estão colocados entre os príncipes do reino dos céus! Oh, quantos desses tronos, perdidos por ingratidão, os darei a pecadores arrependidos, que ouviram Meu chamado na agonia!

Para esquecer principalmente esse pecado, o mais amargo, para adoçar o cálice da ingratidão humana, pedi a Minha serva esta companhia deliciosa da Hora Santa; aqui se convertem em lágrimas de bênção, de amor, as que chorei no desamparo dos que eram Meus, na fuga de Meus filhos. Entre o vestíbulo e o altar, gemei, consoladores Meus. Tenho sede dos consolos que Me negam os ingratos de Minha própria casa...


A alma:

Divino Salvador Jesus, dignai-Vos olhar com Olhos de misericórdia a Vossos filhos que, unidos por um mesmo pensamento de fé, esperança e amor, vêm deplorar ante Vosso Sacratíssimo Coração suas infidelidades e as de seus irmãos culpados. Oxalá possamos, com nossas solenes e unânimes promessas, comover esse Divino Coração e obter dele misericórdia para nós, para o mundo infeliz e criminoso e para todos aqueles que não têm a dita de Vos conhecer e amar! Sim, de hoje em adiante o prometemos todos:


(Todos, em voz alta)


Pelo esquecimento e ingratidão dos homens...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Por Vosso desamparo no sagrado Tabernáculo...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pelos crimes dos pecadores...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pelo ódio dos ímpios...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pelas blasfêmias que se proferem contra Vós...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pelas injúrias feitas à Vossa Divindade...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pelas imodéstias e irreverências cometidas em Vossa adorável presença...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pelas traições de que és vítima adorável...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pela frialdade da maior parte de Vossos filhos...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pelo abuso de Vossas graças...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Por nossas próprias infidelidades..

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pela incompreensível dureza de nossos corações...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Por nossa tardança em amar-Vos...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Por nossa indiferença em Vosso santo serviço...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pela amarga tristeza que Vos causa a perdição das almas...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pelas longas esperas muito próximas de nossos corações...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Pelos amargos desprezos com que és recusado...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Por Vossas queixas de amor...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Por Vossas lágrimas de amor...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Por Vosso cativeiro de amor...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Por Vosso martírio de amor...

Consolar-Vos-emos, Senhor.


Oh, Jesus! Divino Salvador nosso, de cujo Coração se desprendeu esta dolorosa queixa: 'Consoladores procurei e não os achei'. Dignai-Vos aceitar o modesto tributo de nossos consolos, e assisti-nos tão eficazmente com o auxílio de Vossa divina graça, que, fugindo cada vez mais, no vindouro, de tudo o que pudesse desagradar-Vos, mostremo-nos, em toda circunstância, tempo e lugar, sermos Vossos filhos mais fiéis e obedientes. Pedimos-Vos, que, sendo Deus, viveis e reinais pelos séculos dos séculos.


(Pedi-Lhe perdão pelos ingratos, que são tantos...)


Voz do Mestre:

Não Me pergunteis, almas reparadoras, por que vivo perpetuamente crucificado pelas mãos de Meus escolhidos. O mundo chegou a convencer-se que mereço realmente a vergonha e a morte do patíbulo. Ai! são, em realidade, tantos os sábios, os honrados e os poderosos que repetem com cruel tranquilidade estas palavras de Meus acusadores a Pilatos: 'Se este Nazareno não for um malfeitor, não o teríamos trazido acorrentado!'

Ah, sim! E porque sou um malfeitor para a multidão, desenfreada em moral e em pensamento, condena-Me a autoridade. Porque sou um malfeitor, condena-Me os Tribunais. Porque sou um malfeitor, sou flagelado pela imprensa; tratam-Me como vilão e como louco, por decreto de Meus juízes. Entregam-Me à população, em resguardo aos interesses nacionais. Eles, dirigentes e legisladores, lavam as mãos por razões de liberdade, de civilização e de justiça; condenam-Me ao desterro e à Cruz por vias da mais estrita 'legalidade'...

Este é o grande delito de hoje, filhos Meus: achincalhar-Me em nome da razão e do direito, proscrever-Me em nome da dignidade e por lei das nações. Sigo sendo verme e não Homem, o verme pisoteado da terra. Oh, vós os fidelíssimos, aclamai-Me, para aplacar o grito dessa multidão que, desde as alturas, assalta o Meu trono e quer sortear, zombadora, o manto de Minha realeza, abençoai-Me com amor.


A alma:

Acercai-Vos, dulcíssimo Mestre. E aqui, no meio dos Vossos, estreitando-Vos os Vossos filhos, recebei o diadema que quiseram arrebatar-Vos os que, sendo pó da terra, chamam-se poderosos, porque, em Vossa humildade, creem injuriar-Vos do alto... Adiantai-Vos triunfante nesta calorosa congregação de irmãos. Não apagueis as feridas de Vossos pés nem de Vossas mãos, deixai ensanguentada a Vossa cabeça. Ah, e não fechais, sobretudo, a profunda e celestial ferida de Vosso peito. Assim, Rei de sangue, assim... Jesus, o mesmo da noite horrível da Quinta-feira Santa, apresentai-Vos, descei e recolhei o hosana desta guarda de honra que vela pela glória do Coração de Cristo Jesus, seu Rei!


(Todos, em voz alta)


Viva Vosso Sagrado Coração!


Os reis e dirigentes poderão conspurcar tabelas da Lei mas, ao cair do trono do comando na tumba do esquecimento, Vossos súditos seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!


Os legisladores dirão que Vosso Evangelho é uma ruína, e que é dever eliminá-lo em beneficio do progresso, mas, ao cair despencados na tumba do esquecimento, Vossos adoradores seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!


Os ricos, os altivos, os mundanos, dirão que Vossa moral é de outro tempo, que Vossas intransigências matam a liberdade da consciência, mas, ao confundir-se com as sombras da tumba do esquecimento, Vossos filhos seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!


Os interessados em ganhar alturas e dinheiro, vendendo falsa liberdade e grandeza às nações, chocarão com a pedra do Calvário e da Vossa Igreja. E ao se penderem aniquilados à tumba do esquecimento, Vossos apóstolos seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!

Os herdeiros de uma civilização materialista, longe de Deus e em oposição ao Evangelho, morrerão um dia envenenado por suas maléficas doutrinas e ao caírem na tumba do esquecimento, amaldiçoados por seus próprios filhos, Vossos consoladores seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!


Os fariseus, os soberbos e os impuros terão envelhecido estudando a ruína, mil vezes decretada como falsa pela Vossa Igreja. E ao se perderem, derrotados, na tumba de um eterno esquecimento, Vossos escolhidos seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!


Oh, sim, que viva! E ao fazer fugir dos lares, das escolas, dos povos o anjo de trevas, afundado e acorrentado eternamente nos abismos, Vossos amigos seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!


Voz do Mestre:

Amei-vos até o excesso de um Calvário. Chegado ao seu cume, obedeci em silêncio e Me estendi no patíbulo afrontoso. E, desde então, aí estou à mercê de todos os meus verdugos, os sacrílegos. Se tantos dizem que não estou aqui na Hóstia, por que a achincalham e Me ferem? E se creem, por que Me ultrajam neste mistério em que amo com loucura, em que perdoo com inesgotável caridade?

Oh sabei-o: Minhas lágrimas deixaram impressão de dor nos caminhos, onde fui arrastado em milhares de profanações, desde a Quinta-feira Santa. Fui pisoteado com furor; Me arrojaram, entre blasfêmias, às chamas; sepultaram-me no lodo; fui atravessado com punhais em antros onde se trama, com sigilo, na Minha objeção. Ai! paga-se vil dinheiro e não faltam Judas que comunguem, para entregar-Me, com o beijo dessa comunhão, em mãos de Meus mortais inimigos.


O incêndio criminoso abrasou Meu Sacrário. Isto, em troca de ter deixado Meu Coração entre vós, para abrasar o mundo no incêndio da salvadora caridade. Ah, e quantas vezes os infelizes, que cobiçam o metal dourado em que Me guardo, têm salteado a prisão de Meus amores. E fui arrojado sobre o chão, sem ter uma pedra consagrada em que reclinar Minha cabeça ensanguentada! Foi esta visão de horror a que feriu Meu Coração nas angústias de Getsêmani. Vós que passais, considerai e vede se há dor semelhante a Minha dor!


A alma:

Hosana, glória a Deus nas alturas. Glória, bênção e amor só a Vós, Senhor Sacramentado, só a Vós no incompreensível aniquilamento de Vossa Santa Eucaristia! Que Vos cantem os céus, porque Vós, o Deus do Tabernáculo, és a bem-aventurança do mesmo Paraíso! Que Vos cantem, Jesus-Hóstia, os campos, os mares, as neves e as flores, panorama de beleza criado para recrear Vossos Olhos, cansados de chorar solidão e ingratidões! Que Vos cantem, doce Prisioneiro, as aves e as brisas; que Vos cantem as tempestades; que Vos engrandeçam os soluços do coração humano e suas palpitações de alegria, a Vós, o Cativo do Altar. Glória a Deus nas alturas; Glória, bênção e amor a Vós, Jesus Sacramentado, só a Vós, no incompreensível aniquilamento de Vossa adorável Eucaristia!


(Rendei-Lhe uma completa reparação de amor pelo horrendo crime do sacrilégio com

que se Lhe fere no altar; se possível, cante-se o 'Magnificat' com a Imaculada, em

homenagem à Divina Eucaristia)


Voz do Mestre:

Não vos afasteis, filhos de Meu Coração, sem recolher nesta Hora Santa um desafogo de dor, que só vós, Meus fidelíssimos, sabeis compreender em toda a sua amargura. Não é a profanação deste Tabernáculo o atentado mais cruel na objeção à Minha soberania conspurcada; há outro sacrário mais valioso e do que é consciente na rejeição de seu Salvador: é o coração humano. E dizer que o amo tanto...

Como o profanam milhares de cristãos com o veneno de um amor pagão. Esse coração deveria ser o cálice de todos meus consolos; o altar redentor de um mundo, que é infeliz porque não Me amou com amor de espírito, com o casto amor de Meu Evangelho. Nesse Coração, depositei Minhas lágrimas para purificá-lo. E depois, derramando chamas de Meu inflamado Coração, ofereci-lhe Meu amor para acolher as suas ânsias de amar e ser amado...

E não lhe basta esta infinita dignação de caridade. Procura as criaturas. E a Mim Me esquecem nesse delírio de prazer, que não é nem amor, nem paz e nem vida. A Mim Me deixam. E por isso, pobrezinhos, tantos sofrem, rasgada a alma, a fome insaciável das paixões vergonhosas. Os que tendes sede de amar vinde, vinde a Mim: Eu sou o amor que guarda os espinhos para Si, e vos dá as suas flores. Os que sentis ânsias, necessidade de serem amados, vinde... E bebei até saciar-vos da fonte do Meu peito. Filhos Meus, dai-Me os vossos corações...



A alma:

Jesus Sacramentado, exercita em nós Vossos direitos, pois somos Vossos reparadores. Vem! Não peças, não mendigues. Vem! Toma com amabilíssima violência o que é Vosso. Toma nossos corações. Sim, são pobres. Vós sabereis enriquecê-los; damos-Vos por mãos de Vossa doce Mãe e de Vossa serva Margarita Maria. Rogamo-Vos que os aceites em demanda urgente do reinado de Vosso Coração Divino. Não queirais eliminá-los porque um dia se mancharam, quando Vós perdoais, esqueceis para sempre...


A Igreja perseguida, nosso lar tão necessitado, os pecadores, Vosso Vigário, o Purgatório de tortura purificadora, as almas dos justos, todos, todos esperamos Vossa onipotência torrentes de graça. Ah! E em especial lembrai-Vos dos que, como São Gabriel Arcanjo, viemos dar-Vos amável refrigério em Vossa agonia. Aceita seus interesses, suas penas, suas esperanças, sua vida; depositam-no tudo na chaga-paraíso que nos descobriu o soldado. Recolhe agora, Senhor, nossa oração de despedida:


Coração agonizante de Jesus, estas almas Vos confiam seus espinhos...

Coração amável de Jesus, estas mães Vos confiam seus esposos e o tesouro de seus filhos...

Coração amante de Jesus, estes peregrinos Vos confiam seu porvir e todas as suas incertezas...

Coração dulcíssimo de Jesus, estes pródigos Vos confiam sua debilidade e seu arrependimento..

Coração benigno de Jesus, estes Vossos amigos Vos confiam a paz e a redenção de suas famílias...

Coração compassivo de Jesus, estes enfermos Vos confiam as doenças secretas e íntimas da consciência...

Coração humilde de Jesus, estes adoradores Vos confiam seus anseios veementes pelo triunfo de Vosso amor na Santa Eucaristia...

Coração Sacramentado de Jesus, em Vós confia o mundo, que corre desolado a refugiar- se da morte aí onde uma lança abriu as fontes da vida. Vem Jesus!. Seja nosso Rei nas tentações e ciladas que açoitam as sociedades e às almas: domina o furacão desde o Sacrário. Serena o céu ameaçador, com os fulgores de paz e as ternuras de Vosso onipotente Coração.


Padre Nosso e Ave Maria pelas intenções particulares dos presentes.

Padre Nosso e Ave Maria pelos agonizantes e pecadores.

Padre Nosso e Ave Maria pedindo o Reinado do Sagrado Coração mediante a Comunhão frequente e diária, a Hora Santa e a Cruzada da Entronização do Rei Divino nos lares, sociedades e nações.


Coração Divino de Jesus, venha a nós o Vosso Reino! (Cinco vezes)



Súplica final ao Sagrado Coração de Jesus

Esconde-nos, ó doce Salvador, no Sacrário de Vosso lado, chaga acendida de puro amor, e aí estaremos seguros. Elegemos o Vosso Coração por morada, na firme confiança que ele será nossa força no combate, o amparo de nossa fraqueza, nosso guia e luz nas trevas, o reparador de todas as nossas faltas e o santificador de nossas intenções e obras. Unindo-as todas às Vossas, nós as Vos oferecemos a fim de que nos sirvam de preparação contínua para receber-Vos no Sacramento de Vosso amor.


Para honrar Vossa condição de Vítima neste mistério da fé, viemos também oferecer-nos em qualidade de hóstias, suplicando-vos que sejais Vós mesmos o sacrificador e que nos imoles no altar de Vosso Sagrado Coração. Ah! mas como somos tão culpados, rogamo-Vos, Senhor Jesus, que possais purificar-nos e consumir-nos com as chamas do Vosso Sagrado Coração, como um holocausto perfeito de caridade e de graça, para obter uma vida nova e poder então dizer em verdade: 'Nós nada temos que seja nosso; vivos ou mortos, Jesus é nosso tudo; nossa propriedade é ser inteira e eternamente de Seu Divino Coração. Que venha a nós o Vosso Reino!'


Fórmula de consagração individual ao Sagrado Coração de Jesus,

composta por Santa Margarida Maria


Eu (nome) Vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte de meu ser senão para Vos honrar, amar e glorificar. É esta minha vontade irrevogável: ser todo Vosso e tudo fazer por Vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto Vos possa desagradar. Tomo-Vos, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto do meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e de minha inconstância, reparador de todas as imperfeições de minha vida e meu asilo seguro na hora da morte.


Sede, ó Coração de bondade, minha justificação diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim Sua justa cólera. Ó Coração de amor! Deposito toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de Vossa bondade! Extingui em mim tudo o que possa desagradar-Vos, ou se oponha à Vossa vontade. Seja o Vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-Vos, nem separar-me de Vós. Suplico, por Vosso infinito amor, que meu nome seja escrito em Vosso Coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como Vosso escravo. Amém.


 
(Hora Santa de Novembro, pelo Pe. Mateo Crawley - Boevey)
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