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Nossa Senhora das Lágrimas


Nossa Senhora das Lágrimas
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Foi no Instituto das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, fundado por Dom Francisco de Campos Barreto, Bispo de Campinas, que viveu a Irmã Amália de Jesus Flagelado, agraciada com o fenômeno dos sagrados estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo e com inúmeras aparições marianas. Esta religiosa fez parte das oito primeiras irmãs e foi cofundadora do Instituto, tendo feito os seus votos perpétuos no dia 8 de Dezembro de 1931.


A Mãe de Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo apareceram muitas vezes à Irmã Amália, comunicando muitas mensagens de oração, sacrifício e penitência. Nossa Senhora apresentou-se como Nossa Senhora das Lágrimas, ensinou-lhe a Coroa das Lágrimas e revelou à Irmã Amália uma nova medalha, a Medalha das suas Lágrimas e pediu-lhe que a difundisse pelo mundo inteiro, pois através dela seriam realizadas grande conversões e muitas almas seriam salvas.


Em 1929, a esposa de um parente da Madre Fundadora da congregação adoeceu gravemente, e vários médicos declararam não haver mais possibilidade de cura. Com lágrimas nos olhos, o marido lamentou: “O que será das minhas crianças pequenas”?


Os problemas do pai aflito foram diretamente ao coração da Irmã Amália. No mesmo instante ela pensou no Divino Salvador e sentiu então um impulso interior que a chamava para junto do Tabernáculo.


Imediatamente foi para a Capela, ajoelhou-se com os braços estendidos e disse a Jesus: "Não há esperança de salvação para a esposa deste senhor? Eu estou pronta para oferecer minha vida pela mãe de família. O que o Senhor quer que eu faça”?


Jesus então lhe respondeu: "Se deseja obter esta graça, peça-a a Mim pelos merecimentos das Lágrimas de Minha Mãe”.


Irmã Amália perguntou: “Como devo eu rezar?” Então Jesus ensinou-lhe as seguintes orações: "Meu Jesus, ouvi os nossos rogos pelas Lágrimas de Vossa Mãe Santíssima. E também: Vede, ó Jesus, que são as Lágrimas d'Aquela que mais Vos amou na terra, e que mais Vos ama no Céu."


Depois de ensinar essas duas orações, Nosso Senhor acrescentou: "Minha filha, tudo o que os homens me pedirem pelas Lágrimas de Minha Mãe, sou obrigado amorosamente a dar. Mais tarde, Minha querida Mãe entregará, por amor, este precioso tesouro ao nosso querido Instituto como ímã de misericórdia ".


 

A Aparição de Nossa Senhora das Lágrimas

e a Sua entrega da Coroa das Lágrimas



A profecia de Jesus se cumpriu no dia 8 de março de 1930. Irmã Amália rezava na capela da casa geral quando entrou em êxtase e sentiu suspender- se do chão. Olhando para o altar da capela viu "uma mulher de uma formosura inexplicável, trajando uma túnica cor de violeta, um manto azul e um véu branco, que lhe envolvia o peito, que a humilde missionária viu descer sorrindo e dela aproximar-se, trazendo nas mãos um terço, a que chamou de Coroa, cujos grãozinhos brilhavam como o sol e eram brancos como a neve".


Entregando-me aquele rosário, Nossa Senhora me disse:


“Esta é a Coroa de Minhas Lágrimas, que foi prometida pelo Meu Filho ao nosso querido Instituto como uma parte de seu legado. Ele também já lhe deu as orações. Meu Filho quer Me honrar especialmente com essas invocações e, além disso, Ele concederá todos os favores que forem pedidos pelos merecimentos de Minhas lágrimas. Esta Coroa alcançará a conversão de muitos pecadores, especialmente dos possuídos pelo demônio”.


“Uma especial graça está reservada para o Instituto de Jesus Crucificado, principalmente a conversão de vários membros de uma parte dissidente da Igreja. Por meio desta Coroa o demônio será derrotado e o poder do inferno destruído. Arme-se para a grande batalha."


Dito isto, a Senhora desapareceu.”


A Virgem Santíssima na aparição sorria, porque trazia um grande presente à humanidade. Ela explicou a razão de Seu sorriso. Ele é demonstração de alegria e de paz: através dele, Nossa Senhora mostrou Seu amor pela salvação das almas, por meio da oração da Coroa. Eis porque a imagem deve trazer um doce sorriso, que é o bálsamo às chagas da pobre humanidade.


Em 28 de novembro de 1931, Nossa Senhora explicou-lhe o significado das Suas vestes na aparição: O vestido roxo-violeta representa a penitência e as dores que a visão de Seu divino Filho Flagelado Lhe causaram. Tal como a pele de Nosso Senhor ficou roxa com os hematomas dos golpes dos verdugos assim Nossa Senhora se apresentou para recordar que o que Jesus sofreu na carne, Ela sofreu no Coração; o véu branco cobrindo a cabeça e parte do peito representa a pureza de pensamento, de intenção e a pureza dos sentimentos; o manto azul representa fé, esperança e proteção sobre Seus filhos e, ao ser contemplado, dará força aos que estão em dificuldade, aos que sofrem, aos que almejam justiça, aos penitentes, aos que levam a boa nova do Reino de Deus, e a todos que entendem que o manto é a promessa de um dia estarmos no Céu, pois o próprio manto é Deus, abrigando nossa alma contra as ciladas do inimigo.


Por isso, a imagem de Nossa Senhora das Lágrimas é poderosa e deve ser propagada no mundo inteiro, principalmente para os pecadores. Os criminosos, diante dessa imagem, ao chamarem Nossa Senhora de “Mãe”, conseguirão o arrependimento.


Nossa Senhora prometeu: “Aonde for introduzida e reinar esta imagem, os Meus olhares cobrirão a todos de grandes graças, dando-lhes desde esta vida experimentar a Minha proteção consoladora.”



Na região de Campinas, durante a conturbada época da Revolução de 1932, existem muitos relatos que aqueles que tinham a imagem de Nossa Senhora das Lágrimas ou então o quadro com a imagem de Jesus Manietado e Nossa Senhora das Lágrimas não passaram fome, os policiais não entraram em suas casas e receberam bênçãos de proteção materiais e espirituais.


 

A Revelação da Prodigiosa Medalha de

Nossa Senhora das Lágrimas e de Jesus Manietado



Na aparição do dia 8 de abril de 1930, a Santíssima Virgem pediu à Irmã Amália que mandasse cunhar uma medalha de Nossa Senhora das Lágrimas e de Jesus Manietado, e disse que essa mesma medalha devia ser muito divulgada para que o poder de Satanás no mundo fosse vencido. Nossa Senhora ainda acrescentou que todos os fiéis que a trouxessem com amor e devoção obteriam inúmeras graças.


Por ordem da Santíssima Mãe de Deus, essa medalha traz cunhada na frente a imagem de Nossa Senhora das Lágrimas em atitude de entrega da Coroa das Lágrimas (exatamente como aconteceu na anterior aparição de 8 de março de 1930 à Irmã Amália) e rodeada pelas palavras: "Ó Virgem Dolorosíssima, as Vossas Lágrimas derrubaram o império infernal!" (Esta frase possui efeito de exorcismo). No verso, traz cunhada a imagem de Jesus Manietado – ou seja, amarrado durante a Sua Dolorosa Paixão – e rodeada pelas palavras: "Por Vossa Mansidão Divina, ó Jesus Manietado, salvai o Mundo do erro que o ameaça!".


Esta medalha servirá para aumentar a humildade dos fiéis e para servir de modo especial na conversão dos ateus, hereges, comunistas, e com a Coroa das Lágrimas, aqueles possuídos pelo demônio.


A medalha incutirá as virtudes da mansidão e humildade, simbolizados em Jesus manietado e Nossa Senhora das Lágrimas.


Dom Francisco de Campos, Bispo que aprovou as aparições, disse que através da medalha de Nossa Senhora das Lágrimas ocorreram muitas conversões no Brasil e em outros países.



 


Palavras de Jesus Manietado transmitidas à Irmã Amália para todos os missionários das Lágrimas de Maria:



"Minha filha: Hoje vou falar-te das Lágrimas de Minha Mãe.


Durante vinte séculos elas ficaram guardadas no Meu Divino Coração para agora as entregar. Com esta entrega, Eu te constituo apóstola de Nossa Senhora das Lágrimas e sei que estás pronta a dar a vida pela difusão de tão santa devoção.


Ser missionário(a) das Lágrimas de Minha Mãe é dar-Me imensas consolações! Dei valor infinito a essas Lágrimas e, com elas, os que se propuserem a propagá-las terão a felicidade de roubar pecadores ao maligno, cujo ódio há-de colocar-lhes muitos obstáculos para que elas não sejam conhecidas."


"O Mundo tem necessidade de Misericórdia e, para recebê-la, não há dádiva mais preciosa do que as Lágrimas de Minha Mãe! Se as lágrimas de uma mãe comovem o coração de um filho rebelde, então como não se há-de comover o Meu Coração que tanto ama esta Mãe? Este tesouro magnífico, guardado vinte séculos, está agora nas mãos de todos para com ele se salvarem muitas almas das garras infernais!... Quando as almas generosas dizem: "Meu Jesus, pelas Lágrimas de Vossa Mãe Santíssima", o Meu Coração abre-se e faz jorrar sobre aquelas almas as torrentes da Minha Misericórdia!"



Promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo aos Missionários de Nossa Senhora das Lágrimas:


"Todos os que se propuserem propagar as Lágrimas de Minha Mãe, no Céu receberão uma alegria toda especial e louvarão todas as horas que passaram a divulgá-las.


Todos os sacerdotes que difundirem o poder das Lágrimas de Maria terão seus trabalhos a produzir frutos de vida eterna e grandes coisas farão por amor a Mim.


A difusão desta riqueza das Lágrimas de Minha Mãe é de muita importância para o Meu Coração porque Me vai dar milhões e milhões de almas!


Teu Jesus Crucificado que em tuas as mãos depositou tão sagrado e poderoso tesouro, do qual deves ser apóstolo(a) incansável e ser capaz de dar a vida por ele.

– Felizes os que difundirem as Lágrimas de Maria!"


"As Lágrimas de Maria representam uma grande oportunidade para a Humanidade, uma riqueza que só poderá se expandir, se for conhecida e amada. Elas são as luzes que iluminarão o caminho obscuro da conquista das almas e constituem o prenúncio do Meu Reino.


Àqueles que se constituírem apóstolos destas Lágrimas, Eu lhes desvendarei caminhos ocultos. Transformarei essas Lágrimas em luzes que lhes mostrarão as riquezas do Meu Coração, dando-lhes ainda o dom de persuadir os corações!


[...] ‘Salvar Almas’, eis o fim pelo qual desci à terra; eis porque ofereço à humanidade tantos favores, usando para isso de todos os meios. As Lágrimas de Maria são os meios que dou às almas missionárias para que, com elas, possam fazer prodígios."


"Desejo exaltar as Lágrimas de Minha Mãe! Já exaltei as outras prerrogativas: sua Imaculada Conceição, suas Dores, seus Triunfos; porém, ainda não o tinha feito com as suas Lágrimas. Chegou a hora propicia: então, enviei Minha Mãe com este tesouro, enriquecido pelo Meu poder infinito.


As Lágrimas de Minha Mãe são, portanto, os raios de luz que iluminarão os caminhos desta geração e de todas as almas que a elas se quiserem associar.


O apóstolo das Lágrimas de Maria, e quem delas falar, será incluído no número dos mansos. Felizes aqueles que fazem parte desta geração mansa, pois brilharão como o sol diante de Mim!


[...] Todo o apóstolo de Nossa Senhora das Lágrimas mergulhará nestas revelações e conquistará a Humanidade, uma vez que seu coração, absorvendo estas palavras, fica apto para fazer prodígios!


– Todas estas mensagens brilharão e farão milhares e milhares de apóstolos!"


 

Reconhecimento eclesiástico



Em 8 de março de 1931, o Monsenhor Dom Francisco de Campos Barreto, Bispo de Campinas, reconheceu a veracidade dos fenômenos de estigmatização e as aparições recebidas pela Irmã Amália de Jesus Flagelado e concedeu as devidas autorizações – entre elas, o Imprimatur – para a publicação de todos os seus escritos (que incluíam as mensagens originais de Jesus e de Nossa Senhora) e das orações da Coroa (ou Rosário) de Nossa Senhora das Lágrimas. Em 20 de fevereiro de 1934, o mesmo prelado publicou uma declaração episcopal e reforçou a importância da devoção à Virgem Maria sob a invocação de Nossa Senhora das Lágrimas.


Dom Barreto deu seu parecer favorável após acurado exame das revelações particulares e depois do parecer de vários teólogos prudentes e doutos sacerdotes. Ele declarou ser ela de origem sobrenatural, tal como registrou no Livro do Tombo da diocese. Segundo o santo bispo, Irmã Amália não possuía conhecimento teológico e sequer capacidades naturais de conhecer, articular e expor o que expunha durante os êxtases. Outro ponto que pesou muito foram os milagres obtidos através da coroa, as muitas conversões e a libertação de possessos. Diante disso, o próprio Dom Barreto manda cunhar um milhão de medalhas de Nossa Senhora das Lágrimas, muitos santinhos e panfletos e reúne as revelações num livreto publicado por ele mesmo.


Em 1935, a própria Coroa de Nossa Senhora das Lágrimas recebeu mais autorizações para sua divulgação nos Estados Unidos, Hungria e Alemanha.

• Imprimatur: † Bispo Francisco de Campos Barreto, Diocese de Campinas, SP (Brasil), 8 de março de 1931


•Imprimatur: † Bispo Michael James Gallagher, Diocese de Detroit, MI (Estados Unidos), 22 de março de 1935


•Imprimatur: † Arcebispo John Robert Roach, D.D., Arquidiocese de Saint Paul e Minneapolis, MN (Estados Unidos)


•Nihil obstat N.º 924/1935: Ansgarus Borsiczky, Censor Diocesano em Sopron (Hungria), 25 de maio de 1935


•Imprimatur: † Bispo Stephanus Breyer, Diocese de Győr (Hungria), 13 de julho de 1935


•Imprimatur: † Vigário Geral Ferdinand Buchwieser, Arquidiocese de Munique e Frisinga (Alemanha), 22 de março de 1935



 

Sobre Dom Francisco de Campos Barreto



Foi o fundador do Instituto das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado junto da Madre Maria Villac. Nesta Instituição decorreram as aparições de Nossa Senhora das Lágrimas à irmã Amália Aguirre de Jesus Flagelado. Também foi ele quem aprovou eclesiasticamente as mensagens e orações revelados à religiosa.


Sobre Nossa Senhora das Lágrimas, Dom Barreto diz:


“Esse novo nome, significando as virtudes, os méritos e a compaixão de Maria, em união com os méritos e a paixão de Jesus, vem apenas confirmar a devoção à Nossa Senhora das Dores, já secular aprovada na Igreja, da qual as lágrimas são a sua máxima expressão.”


"As Lágrimas abençoadas da Mãe de Jesus são especialmente poderosas para conquistar o coração de Deus."


Dom Barreto morreu em 22 de agosto de 1941, em Campinas. Quando foi exumado em 1966 seu cérebro foi encontrado incorrupto. Um estudioso conheceu a antiga cozinheira de Dom Barreto, que na ocasião tinha 105 anos e gozava de plena lucidez.


Perguntou-lhe a que ela atribuía este fenômeno, ela responde: “à fidelidade e obediência de Dom Barreto”.


E continua a cozinheira: “toda vez que ele recebia uma carta da Santa Sé, mesmo se não desejasse obedecer, ele beijava a carta, recostava-a sobre a cabeça e dizia: ‘Senhor, que teus pensamentos sejam os meus pensamentos’. Do mesmo modo, quando tinha uma grave decisão a tomar, repetia: ‘Senhor, que Teus pensamentos sejam os meus pensamentos; que a Tua justiça seja a minha justiça’ ”.


Dom Barreto nasceu no distrito de Souzas, em Campinas-SP, no dia 28 de março de 1877. Ainda menino tornou-se coroinha do então Cônego Nery da Matriz Velha. Do grupo de coroinhas do Cônego Nery sairiam 5 bispos. O próprio cônego viria a ser o primeiro bispo de Campinas, diocese criada por São Pio X.


A mãe de Dom Barreto era devotíssima de Nossa Senhora das Dores e seu pai meditava sobre a Paixão de Cristo frequentemente. Ainda menino, seu pai lhe daria de presente o livro "O relógio da Paixão" que seria decisivo na sua vida espiritual. Muito cedo ingressou no seminário e foi ordenado sacerdote aos 24 anos de idade. Dom Nery que fora seu pároco, agora era seu bispo. Um homem santo e dado às obras de instrução e caridade.


Já nos primeiros anos de sacerdócio, o zelo pastoral o levou Dom Barreto a pregar, confessar e dirigir muitas pessoas. O púlpito da Catedral de Nossa Senhora da Conceição tornou-se um dos lugares em que ele mais dedicou-se à salvação das almas.


Em 1908, o núncio apostólico do Brasil, a pedido de São Pio X, começou a sondar possíveis localidades para instalar novas dioceses. Sabendo disso, o Padre Barreto lutou como pôde para prover Campinas de todo o necessário para que a escolha recaísse sobre a região, como de fato ocorreu. Por conta de sua dedicação, recebeu o título de monsenhor e passou a assistir vários grupos de leigos.


Nessa época, conheceu a vida de São João Maria Vianney, a quem tomou como patrono e também conheceu a vida de uma religiosa que sequer era beatificada: Irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face. Ambos os Santos o acompanhariam juntamente com Santa Gema Galgani.


Em 1910, São Pio X elege Monsenhor Barreto como o primeiro bispo diocesano de Pelotas- RS. Dom Barreto foi sagrado por Dom Nery, tomou posse de sua diocese onde criou paróquias, fundou um jornal, uma escola para instrução de moças, cursos profissionalizantes, além de irmandades e movimentos leigos. Combateu o espiritismo, a maçonaria, o protestantismo e o comunismo.


Em Pelotas, sofreu perseguições e calúnias de muita gente da Igreja local. Na sede da diocese vivia o antigo embaixador do governo brasileiro na Santa Sé. O mesmo opôs-se publicamente às correções que Dom Barreto fazia na diocese, instituindo organizações e purificando antigos vícios, como o erro tão comum de permitir que as irmandades fossem controladas por maçons, tal como ocorria no tempo do Império.


Em 1920 foi eleito para Campinas. Deixou Pelotas e assumiu a diocese onde nasceu. Assim que chegou, muito rapidamente organizou uma primeira visita pastoral. Monsenhor Jerónimo Baggio, padre de seu clero, dizia que Dom Barreto "era o bispo que não dormia e não deixava os padres dormirem". De fato, Dom Barreto pagou as dívidas da cúria, adquiriu imóveis que alugou e com a renda construiu o Lar Sacerdotal para os padres idosos, construiu um asilo, fomentou a criação da Universidade Católica de Campinas, duplicou o número de paróquias, trouxe novas comunidades religiosas para a diocese, fundou um jornal e publicou diversas cartas pastorais.


Apesar de tudo isso, seu coração ainda se inquietava pela situação de muitas familias que viviam matrimônios irregulares, distantes da fé e da doutrina da Igreja.


 

Maria Vilac

A Madre Fundadora



Nessa mesma época, uma jovem campineira, filha de imigrantes franceses, chamada Maria Vilac desejava ser religiosa e decidiu-se a ingressar na Ordem do Santíssimo Redentor, as "monjas redentoristas", filhas de Santo Afonso de Ligório e da Beata Maria Celeste Crostarosa. Uma de suas tias era monja redentorista na Bélgica e Maria Vilac pensava em ingressar no mesmo mosteiro. Quando tudo estava acertado para sua ida, eclodiu a Primeira Guerra e a jovem se viu privada da possibilidade de realizar sua vocação. Seu diretor espiritual a tranquilizou afirmando que se Deus havia permitido isso era porque sua missão estava no Brasil.


Maria Vilac passou a reunir algumas amigas em sua casa para rezar a Via Sacra, o terço e também para definir algumas obras de caridade que empreendiam periodicamente. O grupo cresceu rapidamente e muitas moças passaram a buscar o conselho de Maria Vilac.


Pouco depois da chegada de Dom Barreto como bispo de Campinas, a jovem, a conselho de seu diretor espiritual buscou uma audiência com Dom Barreto para pedir sua benção e explicar o trabalho de seu grupo.


Esse encontro foi decisivo! Dom Barreto, ao ouvi-la falou-lhe da sua intenção de fundar uma congregação religiosa e que ela era a enviada da Providência para isso. Ele deu uma semana para que a jovem refletisse e lhe respondesse.


Dom Barreto recebeu a aceitação de Maria Vilac e encarregou-lhe de sondar quais outras amigas tinham o desejo de iniciar uma congregação religiosa. No dia 20 de abril de 1928 as primeiras oito candidatas passaram a integrar a primeiras comunidades religiosas da nova congregação intitulada como Missionárias de Jesus Crucificado.


Entre as primeiras companheiras de Maria Vilac estava a imigrante espanhola Amália Aguirre que havia chegado a Campinas um tempo antes.


Na foto abaixo, Maria Vilac que se tornaria a Madre Maria do Calvário, está sentada à esquerda de Dom Barreto e, em pé à esquerda, está Amália Aguirre, que tomou o nome religioso de Irmã Amália de Jesus Flagelado.



O pai de Maria Vilac cedeu o Hotel D'Europe, sua propriedade particular como espaço para a nova congregação.


Dom Barreto constituiu Maria Vilac como superiora da nova comunidade e de abril a maio daquele ano, ele mesmo as dirigiu e formou no carisma do novo instituto.


Amália Aguirre foi a última das jovens a se integrar ao grupo a convite do próprio Dom Barreto. No dia 11 de maio de 1928, antiga festa litúrgica de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, as oito primeiras missionárias receberam o hábito azul e branco na Catedral de Campinas.


 

Amália Aguirre

A vidente


Amália Aguirre Queija nasceu no dia 22 de julho de 1901, na cidade de Riós, na Galícia, Espanha. Em 1908 fez sua Primeira Comunhão e teve sua primeira manifestação mística na qual Jesus lhe apareceu perguntando-lhe se estava disposta a ajudá-lo a salvar as almas. Ela respondeu que sim.


Aos 16 anos, Jesus volta a falar-lhe para obter seu consentimento tal como prometido na Primeira Comunhão. Amália confirma seu desejo.


Desde pequena ela nunca teve uma memória ou grande facilidade para aprender. Possuía diversas limitações nesse aspecto, por isso preferia os trabalhos mais braçais. Sempre ajudou seus pais e sua avó. Acordava cedo, fazia todo tipo de trabalho, era silenciosa e aplicada no que fazia. Em 1918, seus pais e irmãos menores migraram para o Brasil, mas ela permaneceu na Espanha para cuidar da avó já muito idosa. Ela assim o fez até a morte da mesma. Assim que isso ocorreu, em plena epidemia de gripe espanhola ela veio para o Brasil e não se infectou. Na viagem, ajudou a cuidar dos doentes.


Em 1927, perde seu pai e pouco tempo depois se associa ao grupo de Maria Vilac que viria a ser o núcleo fundacional do Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado.


Em 1928, após a vestição do hábito, começam suas manifestações místicas em público e de forma involuntária e incontrolável.


A partir do dia 28 de agosto de 1928 aparecem os estigmas visivelmente (ela já possuía os estigmas de forma invisível). Uma chaga se abre sobre o lado esquerdo de seu peito, seguida dos sinais da crucifixão, de marcas nos joelhos, na coxa e na cabeça. Essa manifestação se deu durante a Santa Missa na capela do instituto.


A partir de 30 de agosto de 1928 começam os êxtases públicos. A pedido de Dom Barreto, Irmã Delminda, amiga de Irmã Amália começou a anotar tudo o que ela dizia durante os êxtases. As mensagens se destinavam à Igreja, ao mundo e também a muitas pessoas particulares.


A partir de novembro de 1928 começam os ataques do demônio, inclusive ataques físicos. A própria Irmã Amália anotará em seus cadernos que Madre Maria Vilac passou a dormir numa cadeira dentro de seu quarto para auxiliá-la nesses momentos de ataque. A santidade de Madre Vilac era tamanha que a própria vidente narra que em muitas ocasiões o demônio a perturbava, mas ao ouvir os passos de Madre Vilac ele se punha em fuga vociferando que a superiora estava chegando e então abandonava Irmã Amália.


Em 1929 e 1930, Nosso Senhor e Nossa Senhora a revelam a Coroa das Lágrimas, as suas orações e Medalha.


No ano de 1930, o comunismo ameaçava entrar de fato no cenário político brasileiro. Nossa Senhora disse à Irmã Amália que isto era uma punição divina, não porque Jesus queria o mal para o Brasil, mas como um lembrete do fato de que a prostituição e outras práticas contra a virtude da pureza despertavam a justiça divina. Como remédio para esse mal, Nossa Senhora incentivou a oração da Coroa das Lágrimas e visitas frequentes ao Santíssimo Sacramento.


No dia 16 de julho de 1930, festa de Nossa Senhora do Carmo, o papa Pio XI assinou o decreto que elevou Nossa Senhora Aparecida à condição de padroeira principal do Brasil. Nesse mesmo dia Irmã Amália fez uma profecia de que após sua morte teria permissão divina para voltar à Terra e dizer às pessoas o quanto Nossa Senhora pode lhes valer como intercessora (podemos crer com segurança que este tempo chegou e a devoção que ficou por anos escondida, agora reaparece em toda sua força).


Em 1930 eclodiu a revolução que colocaria Getúlio Vargas no poder. Irmã Amália perguntou a Nossa Senhora porque aquilo ocorria. A Mãe do Céu transportou-a misticamente até a Via Dolorosa. A jovem religiosa entendeu que seria um tempo de purificação para o Brasil.


Em 25 de abril de 1931 Jesus e Maria aparecem juntos à Irmã Amália. Jesus a convidou e pediu que transmitisse à todas as pessoas que pudesse o seu convite de que todos os seus filhos recorressem às Lágrimas de sua Mãe Santissima que são como "pérolas preciosas diante do trono de Deus".


Em maio de 1935, Nossa Senhora torna a aparecer para Irmã Amália. Nessa altura o Brasil estava na iminência de ser tomado pela Intentona comunista. Nossa Senhora afirmou que a Coroa das Lágrimas era a espada para combater esse mal. No dia 5 de julho, diversos confrontos e centenas de mortos eram o resultado das tentativas de implantação do Comunismo no Brasil. Então Nossa Senhora disse: "Salvarei o Brasil, se ouvir em todas as casas, ao menos uma jaculatória de minha Coroa das Lágrimas: 'Ó Virgem Dolorosíssima, as vossas lágrimas derrubaram o império infernal!' Se assim falo, é porque desejo ver está Terra de Santa Cruz triunfar de seus adversários, que desejam implantado terrível inimigo, que já tomou conta de outras terras que não me reconhecem como Mãe".


Em 1936, um visitador do Santo Ofício impôs silêncio à vidente e ordenou que Dom Barreto recolhesse imagens, livros e medalhas sobre a aparição. Começava a se cumprir a profecia de Nossa Senhora, segundo a qual a aparição, por permissão divina, seria ofuscada por um tempo e que retornaria oportunamente.


Isso ocorreu numa época de grande perseguição contra Dom Barreto e o inquisidor lhe disse que não encontrou erros nos escritos das aparições e nem na vidente, no entanto, estava sofrendo pressão de partes externas para que ele o punisse de alguma maneira. Então, para não punir a diosece e não extinguir a congregação fundada por Dom Barreto, o inquisidor precisou silenciar a Aparição. No relatório do inquisidor consta que a devoção foi silenciada temporariamente, mas não foi proibida e que pode ser praticada privadamente.


Em 1940, a Santa Sé impõe silêncio também à vidente que obedeceu prontamente. Dom Barreto acatou o silêncio, mas seguia negociando junto à Santa Sé pelo reconhecimento da aparição. Em 1941, vitimado por uma pneumonia, no dia 22 de agosto, festa do Imaculado Coração de Maria, Dom Barreto entregou sua alma à Deus. Com sua morte, o processo de reconhecimento final da aparição paralisou.


Irmã Amália adoeceu e passou a sofrer perseguições de suas próprias companheiras de hábito. Foi transferida para Taubaté, a partir de 1953, onde permaneceria até sua morte. Jesus havia dito à sua dileta esposa que ela estaria unida à Sua humilhação silenciosa. De fato, assim ocorreu. Os estigmas continuaram até o fim da vida, as manifestações místicas também, mas tudo no escondimento e esquecimento de todos. O coração de Irmã Amália parou de pulsar neste mundo no dia 18 de abril de 1977. Em março do ano seguinte, Jesus chamou a Si também Madre Vilac, a santa que ajudou Dom Barreto e tanto lutou pela vida de sua família religiosa.




***


“Quem conhecer esta Mãe amável e A invocar na vida com confiança,

no meio da agonia, encontrará este farol luminoso, que lhe

mostrará as portas do Paraíso. Jesus.”


Irmã Amália 17-07-1930



Nossa Senhora das Lágrimas, rogai por nós!




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